O forte poder das localizações prime
O retalho em Portugal atravessa um momento de dinamismo excecional, com o país a liderar o crescimento das vendas a retalho na Europa e a afirmar-se, atualmente, como um dos destinos de investimento mais apetecíveis para as marcas internacionais.
Em Lisboa, a Avenida da Liberdade consolida-se como o principal eixo do retalho premium e de luxo, concentrando cerca de 89% da oferta neste segmento, enquanto o Chiado e a Rua Augusta beneficiam de um intenso fluxo turístico e da presença de marcas internacionais de perfil lifestyle.
No Porto, a Avenida dos Aliados afirma-se como o novo epicentro do luxo. Em paralelo, a Rua de Santa Catarina mantém o seu papel histórico como principal artéria do retalho tradicional e de moda e com elevada densidade pedonal.
Esta consolidação é sustentada por um turismo contínuo — tanto de elevado poder de compra como de massas —, capacidade de gerar tráfego qualificado, dinamismo do consumo interno, número elevado de aberturas do segmento de Food & Drink e pelo prestígio que proporcionam às insígnias.
A consequência direta é o desequilíbrio entre uma procura crescente e uma oferta extremamente limitada, decorrente da escassez de espaços disponíveis nos centros históricos. Este cenário tem impulsionado as rendas a níveis históricos, promovido o recurso a pré-arrendamentos e incentivado a expansão para localizações secundárias, retail parks e centros comerciais por parte de marcas que não conseguem acompanhar os níveis atuais de renda.
Apesar deste contexto, o retalho em Portugal deverá continuar a crescer, impulsionado pelo turismo e pelo consumo, tornando-se mais seletivo, em que a adaptação, a qualidade dos ativos e os critérios ESG serão fatores críticos de sucesso.



