Porque é que os edifícios de escritórios novos e mais caros são os que se colocam mais rapidamente ainda antes da sua conclusão?
A resposta óbvia tem a ver com a procura ser superior à oferta deste tipo de produto.
Numa análise mais profunda temos de perceber o impacto de vários fatores que nos últimos anos criaram uma onde de choque neste sector e que conduzem a este desempenho:
– Impacto do trabalho remoto. As empresas sentem necessidade de criar espaços corporativos mais acessíveis, mais eficientes, mais confortáveis e com mais serviços para os seus colaboradores sentirem uma efetiva mais-valia nas deslocações ao escritório
– Impacto do pleno emprego e concorrência pela retenção e atração de talento
– Impacto do curto raio de ação da nossa rede de transportes públicos que continuam muito centralizados e consequentemente servindo as localizações com terrenos mais caros
– Impacto das políticas de sustentabilidade das empresas que as levam a considerar este fator quando escolhem as suas instalações
– Impacto de um longo período sem construção nova, excetuando reabilitações profundas no centro da cidade, o que levou a um gap de qualidade entre os projetos novos e edifícios quase obsoletos. Alguns destes últimos vão ser reconvertidos para outros usos ou serão alvo de obras profundas
– Impacto da atratividade de Portugal para instalação de alguns negócios de grandes multinacionais que têm mais capacidade financeira e olham para as rendas dos nossos escritórios como uma boa relação qualidade/preço para instalarem parte da sua atividade internacional
Há ainda um fator menos impactante e que sempre existiu, que se aplica apenas a uma pequena franja do tecido corporativo, que é a necessidade de afirmarem a sua imagem através da visibilidade e associação aos melhores imóveis e localizações mais valorizadas.
Tudo isto leva os decisores das empresas a estarem disponíveis para pagar mais por um produto que dê resposta as suas principais necessidades e esse produto continua a ser escasso e caro, apesar da oferta em Lisboa e Porto, no seu todo e de forma heterogénea, ter uma disponibilidade próxima de 8% num stock de cerca de 6 milhões de metros quadrados, ou seja, uma oferta disponível nas duas cidades de 480.000 metros quadrados.



